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Newsletter Machado AI - 29 de setembro

Porque as cidades tiveram que adaptar seus fusos horários com a chegada das ferrovias e não o contrário e o que isso tem a ver com você usando IA

Quando as ferrovias surgiram, cada cidade usava seu próprio horário que era ajustado em um relógio público, geralmente o da Igreja ou da prefeitura.

Isso era um grande problema para os operadores dos trens, já que as linhas ferroviárias eram compartilhadas. Como não havia forma de se comunicar, era uma roleta russa. Você nunca sabia se seu trem poderia encontrar outro naquela cidade ou naquele trecho.

Claramente isso era um problema, pois muitos acidentes aconteciam.

As empresas simplesmente padronizaram e criaram o horário da ferrovia. Em 1840 a Great Western Railway no Reino Unido adotou o horário de Londres em todas as suas linhas. Então havia o horário da rodovia e o horário público da cidade. Isso acabou forçando com o tempo que o horário da cidade fosse o dos trens.

Isso me fez pensar sobre a forma como pensamos IA. Geralmente temos uma tarefa, a dividimos em passos que fazem sentido para o raciocínio humano e encaixamos a IA ali.

Diagrama comparando a estrutura de um problema pensada para humanos vs. adaptada para IA

Mas e se pensarmos como as empresas de ferrovias e adaptarmos o nosso problema à realidade das IAs?

Foram as cidades que se adaptaram aos trens e não os trens às cidades. Isso pode parecer totalmente anti natural, mas dá resultado.

Alguns exemplos:
- Estruturação do problema: a IA é ótima em representação. Ela consegue tirar de dados desestruturados padrões e regras. Humanos são terríveis nisso. Então não é mais necessário pensar em templates ou checklists para estruturar problemas. Um áudio de 5 min para o Claude provavelmente é a forma mais produtiva.
- Código: padrões de código foram adotadas para favorecer a legibilidade, mas eles não são mais úteis se os humanos simplesmente pararem de ler o código. Algo que não é uma realidade hoje, mas que deve vir a ser em breve para a maioria do código gerado pela humanidade.

Algumas coisas que eu tenho pensado sobre os processos que eu sigo:
1. Talvez certas etapas devam ser removidas ou fazer parte de outras
2. Apesar de ser contra intuitivo(o ser humano é mais aprofundado monotarefa), pensar em simplificar as tarefas para colocá-las em agentes em paralelo
3. Ao invés de focar em resolver problemas, foco em aprender profundamente sobre o tópico durante a resolução, pois essa é uma das principais moedas na época da AI.

Enfim, exemplos são inúmeros e tenho certeza que você pode encontrar vários na sua empresa.

Recentemente aceitei um grande desafio que na era pré-IA eu nunca aceitaria

Fui convidado para fazer uma prova profissional para conseguir uma promoção.

Era uma prova difícilima. Algo que já estudei há muitos anos atrás, no começo da graduação. Mas nunca estudei desde então. Um gap de 15 anos.

E o tempo entre aceitar o convite e fazer a prova era curto, nem um mês de preparação. O padrão para esse tipo de prova é de no mínimo 6 meses.

Mas eu aceitei sabendo que a IA seria a base da minha estratégia.

O que eu fiz

Primeira coisa foi pedir para o Claude vasculhar a internet em busca de provas passadas para usar de exemplo e do grau de dificuldade da prova. Além disso, fiz o upload dos docs e emails que eles me mandaram.

Pedi para a IA criar um plano com o tempo curto que eu tinha para estudar diariamente.

Esse plano foi "vivo", eu retornei à ele várias vezes durante o período de estudos para refina-lo e transformá-lo em algo realmente útil. A IA não é perfeita em fazer esse tipo de coisa pois é basicamente impossível enviar todo contexto à ela.

Como a prova era baseada em exercícios que eu precisava resolver em tempo real, eu discuti uma métrica de progresso. Isso ajuda muito a manter a confiança e saber que você está indo na direção certa.

O escolhido foi exercícios resolvidos por hora. Fez muito sentido pois as questões dessa prova geralmente levam a travamentos e o candidato fica em pensamento circular. A solução aqui foi resolver o máximo de exercícios possível e ficar travado por no máximo 5 minutos. Ficou combinado que o Claude me daria somente a dica mínima para eu resolver o meu travamento.

Cada exercício que eu fazia eu registrava o progresso para ele identificar meus pontos de melhora e trabalhar em reps individuais(posso falar sobre esse processo de aprendizado em outra edição).

Apliquei diversas ferramentas da neurociência no estudo além das reps individuais como priming schema e mapa mental. Isso ajudou ao Claude à entender a melhor forma de aprendizado para mim.

Não vou dizer que foi perfeito, mas alcancei um progresso que jamais alcançaria antes da IA. Consegui cobrir muito mais em muito menos tempo. Infelizmente, não consegui passar. Realmente achava que minha chance era baixa pois apesar do progresso, ainda faltou muito a cobrir.

Eu usei o Opus algumas vezes, mas o Sonnet foi tão eficiente quanto nesse processo. Não testei GPT nem Gemini..

Vídeo para ver enquanto os agentes rodam

Achei esse vídeo interessantíssimo sobre masculinidade.