O que podemos aprender com o seed da Decade?
Nessa semana, a startup Decade recebeu a maior rodada seed da América Latina. Foram 85 milhões de venture capital para expandir a empresa.
Os dois founders são ex-Nubank. O ex-CTO Vitor Olivier e Felipe Meneses, que já tinha vendido uma startup(Hyperplane) para o Nubank.
Eles são uma consultoria de investimentos que une o melhor da Inteligência Humana e Artificial para as decisões mais importantes da sua vida.

Cada cliente vai ser conectado com um consultor humano e um modelo de IA com todos os seus dados(contexto), monitorando seus gastos e sua carteira. Segundo a reportagem da Techdrops: "A ideia é revolucionar e democratizar acesso a informações e conselhos - que antes só 0,01% tinha acesso, usando IA.".
O que podemos aprender com isso?
Dentre um mar de empresas de AI, por que eles receberam a confiança de Venture Capitals gigantes no mundo? Com certeza é possível aprender algo desse movimento.
Muitas coisas podem ser faladas, mas eu vou me ater à algumas que acho mais interessante e podemos aplicar nos nossos negócios e decisões hoje.
Inteligência humana + Inteligência artificial
"Nenhum homem é melhor do que uma máquina, e nenhuma máquina é melhor do que um homem com uma máquina"
Paul Tudor Jones
Imagine uma guerra daqui a 100 anos. O que é mais provável de acontecer? Robôs x robôs ou Homens melhorados por robôs x Homens melhorados por robôs. A segunda faz muito mais sentido. Um exoesqueleto robô pode aumentar a capacidade de um soldado em graus de magnitude.
Esse é o mesmo exemplo usado aqui. Há gestores de fundo que batem o S&P500 por longos anos e eles sequer tinham em mãos IAs que expandissem sua capacidade de resumir dados para tomar boas decisões.
O que a Decade oferece é isso: um consultor financeiro sênior, alguém que tem plena capacidade de gerir patrimônio com um modelo dedicado auxiliando em busca, resumos, insights, etc.
Essa mistura é capaz de catapultar os resultados em qualquer business. A mágica sempre está em emparelhar as melhores pessoas com ferramenta que alavancam sua produtividade e eficiência.
Os dados
A IA avançou tão rápido que transformou produto em commodity. A velocidade com que times conseguem criar sistemas novos é absurdo.
Quais são as coisas que sobram? Distribuição e dados.
Um modelo IA hiper personalizado com o contexto da pessoa, com dados mapeados, com cenários de sucesso e falha que a própria empresa aplicou ao longo do tempo é infinitamente superior à IA treinada de forma genérica.
E ainda como o plano de gerenciamento de patrimônio é para a vida inteira dos clientes, a capacidade de expansão de uma IA proprietária torna-se um obstáculo para qualquer concorrente. O famoso moat.
Fluxo de informação
As empresas nascendo hoje se intitulam AI-first. Isso não significa só que a conta de AI delas vai ser mais alta que as outras, mas que a forma como a informação circula dentro da empresa vai ser radicalmente diferente.
Adaptar um processo para colocar a inteligência artificial no meio é totalmente diferente de pensar o processo com a premissa de que a IA estará no centro das operações.
Sabendo que a IA vai:
- consumir grandes volumes de informações e entregar conclusões
- ter a possibilidade de criar automações com um alto nível de inteligência
- tem a capacidade de ter um feedback loop positivo sempre
- é capaz de alucinar
Todas as áreas da empresa passam a estabelecer seus processos de forma que o tempo humano é otimizado em áreas nas quais as máquinas são ruins.
Conclusão
Esses três princípios que coloquei podem acelerar qualquer empresa pois eles são agnósticos à àrea.
Toda empresa provavelmente tem fluxo de informação que não se adaptou à era da IA, desperdicio de dados importantes e não otimiza relação homem e máquina nos seus produtos e serviços.
A Decade apresenta um potencial absurdo e por isso receberam o seed que receberam. Desejo toda sorte aos fundadores para executar esse plano e conseguirem colocar sua ideia em prática.
E para você, meu leitor, fica o convite à pensar sua empresa sob a luz desses insights.